o feminismo moderno rebola na cara

Enquanto mulheres seminuas dançam em cima dos palcos, argumentos sobre a qualidade musical dão espaço para frases de humor duvidoso, como “antigamente uma mulher honrada lutava por seus direitos”.

Quem disse que ela não está lutando?

Passamos por diversas fases no crescimento social humano nas últimas décadas, vendo feministas irem às ruas protestar por direitos básicos, como votar. Vimos diferentes mulheres erguerem-se contra um sistema patriarcal e preconceituoso imposto em sua época, com as restrições, justamente, dessa época.

As que não podiam votar, lutaram pela democracia justa. As que eram vistas como prostitutas após o divórcio, bateram no peito para reivindicar seu direito a ter uma pussy liberta. Prostitutas, transexuais, meninas e idosas anarquistas: cada uma dessas mulheres foi a guerreira feminista do seu tempo.

Por que, então, as bundas em cima do palco são vistas como personificações da luxúria e da falta de respeito, quando lutam pela mesma coisa?

As mulheres estão batalhando por aquilo que ainda lhes falta: liberdade. Liberdade em cantar qualquer coisa, sem ter que pensar no público masculino. Liberdade de não ficar com o boyzinho do camaro amarelo e não precisar explicar o porquê. Veja só, guri, um não é um não, sim. Direito de usar a roupa que der na telha e não precisar ser classificada como “essa não é pra casar”. Aliás, que não case mesmo!

Pequenos direitos, como mexer o bumbum na batida, ainda aparecem nublados frente à uma população conservadora.

Grande parte da culpa disso é das próprias mulheres. Suspeito que um recalque disfarçado de bons costume seja o responsável por tanta raiva gratuita. Se alguma menina se destaca, é gostosa e não impõe limites sociais aos seus desejos (traduzindo: tem fotos nuas soltas na web), é vista como uma depravada. Nem Odin salva.  Afinal, quem é responsável por ditar o que pode ou não ser feito por aquela mulher? Quem é o rei que dirá o que ela pode vestir, despir e gozar?

As mulheres que rebolam em cima de palcos, na rua e nas praias, são sim uma forma de feminismo. São elas que criaram a coragem de amar o próprio corpo e não se importar com os olhares que as julgam.

O recalque deveria ser substituído por orgulho. Se você não acha bonito, não use. Se você não gosta, não saia com a menina. Mas não venha com desculpas, seja corajoso e diga: eu não gosto de mulheres assim. Tudo bem, vai ver ela também não gosta de homens que nem você, com ou sem carro. Sem grilo, é um direito dela e é um direito teu. Agora, o único dever de ambos é respeitar um ao outro, em todas os níveis da estrutura social que vivemos – e em todos os comentários de facebook e vídeos do whatasapp.

Tô no aguardo da época em que iremos apenas “julgar” o gosto musical dessas mulheres que dominam os palcos, independente dos seus shorts curtos. Pelo dia em que a violentada seja vítima, e não culpada. Que mulheres de saia nas canelas e biquínis de bolinha amarelinha andem lado a lado.

Sendo mulher. Rebolando na cara, livre, até pra ficar nua. (que putaria!)

anitta

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