Análise: Sobre Garotos Que Beijam Garotos – Enrique Coimbra

A primeira coisa que pensei quando a tela do kindle ficou branca foi, porra, queria mais.

Sobre Garotos que Beijam Garotos termina cedo. Não de uma maneira ruim, mas de um jeito que deixa saudade. Você quer saber mais; da história, dos garotos, do Rio e de toda a atmosfera que o autor consegue criar em poucas páginas. É fácil se envolver, ele prende até depois que termina, grande parte disso culpa do ritmo – tanto do protagonista quanto do estilo de Enrique Coimbra.

Em resumo, Garotos Que Beijam Garotos é sobre Enzo e sua capacidade em se apaixonar pelas pessoas erradas – no caso, um amigo hétero curioso. No meio da efervescência adolescente de querer sentir o mundo, o protagonista se envolve mais do que consegue lidar com Ian, que também é “namorado” de uma de suas amigas. Ele segue sua espiral existencial em descobrir se suas paixões são um espelho autodestrutivo intencional ou se é tudo uma pequena escada para entender o que é ou não amor.

“Nós sabemos o que estamos fazendo. Somos grandinhos. Mas tenho a insossa sensação de responsabilidade ao entender que ele nunca teve as orelhas chupadas por outro cara.”

 

garotos+que+beijam+garotos+garagemO livro é uma série de pensamentos crus e sensíveis. Se você tem mais do que 21 anos, é um mergulho gostoso na sensação de não ter controle dos sentimentos. A descoberta do que dói. Ferida exposta, escárnio próprio. Se você tem menos que isso, Enzo provavelmente vai parecer um alter ego antipático ou um amigo que você escuta nos bares. De alguma forma, ele está na sua vida. Com você ou em você.

É por isso que, mesmo com suas eventuais falhas, funciona.

O interessante é o que está por trás do título objetivo, nas divagações do protagonista que narra a história como quem vive com pressa. São ações, mãos e beijos que acontecem em passagens de tempo consecutivas ou não, que te despertam curiosidade.

Os personagens também são um ponto positivo. Cheios de defeitos, com personalidades conflitantes, variam entre chatos teimosos e introspectivos em seus erros. É humano. É fácil ver o pensamento mudar, o desejo crescer e a contradição aparecendo dentro do que eles mesmo imaginam, por isso é gostoso, porque lembra um pequeno pedaço do seu passado que é horrível e assustador, mas que faz falta. Quando não se tem certeza de nada, é bom. É bom não saber de tudo, como Enzo diz.

O forte de Enrique está em ser sincero, como personagem e como pessoa. O autor já disse que a história é baseada em suas próprias experiências, o que torna tudo um pouco mais interessante, com imagens mais nítidas das praias do Rio e dos jovens sem rostos e bêbados. Mesmo com exageros típicos de alguém que está começando, ou afirmações adjetivas demais, Enrique consegue se destacar pela mensagem. Pela história. Grava seu tempo naquele pequeno recorte, como quem entra sem pedir licença. Vira referência de conversa entre amigos. Lembrança. Saudade.

Queria ler mais livros assim.

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Enrique escreveu Garotos Que Beijam Garotos em 2013. Uma segunda edição foi lançada pela Casa da Palavra, e essa que eu li foi distribuída gratuitamente para os assinantes do Clube do Enrique. O autor faz vídeos para o Youtube e tem outros dois livros publicados – quando os vídeos acabam, também deixam saudade. Confere aqui.

Apoie os autores independentes e a cultura nacional. Espalhe a mensagem, indique o livro para alguém, baixe, distribua. Espalhe história.

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PS: o Enrique também separou a trilha sonora do livro aqui. Eu sei, foda, né? De nada.

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Editora: *essa versão é independente, ele já publicou pela Leya antes, mas não curtiu.

Autor: Enrique Coimbra

Onde encontrar: você pode baixar DE GRAÇA pela Amazon ou por esse link AQUI. Aproveite, é por tempo limitado (01/2017)

Número de páginas: 57

Data de lançamento: Edição 2017

Veja no SKOOB.

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