Análise: HOUSE OF CARDS – 4ª Temporada

CUIDADO! O TEXTO CONTÊM DIVERSOS SPOILERS. QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ.

We do not submit to terror, we make the terror.

Nunca uma frase soube resumir tão bem House of Cards e a criação de sua mitologia. A quarta temporada de série de Underwood chega como a prova de que a criação clássica da Netflix não perdeu seu fôlego, e nos faz enxergar sua temporada anterior como uma passagem necessária, mas não mais importante.

A série começa na guerra fria em que deixou anteriormente os protagonistas.Novamente, vemos que o maior inimigo mora em casa, e que há, sim, alguém tão perigoso quanto Frank. A força de House of Cards, porém, é somar qualidades únicas a “TV” atualmente, se redefinindo e criando novas expectativas em seu quarto ano de exibição, sem perder a essência – a descarga violenta de obstinação que começou quando Frank deixou o motor do carro de Russo ligado.

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Ainda que aquela tenha sido a primeira vez que nos foi apresentada as paredes de sangue da série, os fantasmas de Frank se encontram presentes em sua caminhada, o tornando humano e pecaminoso, o que é um bom equilíbrio para um personagem que conseguiu se eleger sem votos populares.

Democracia é superestimada, e é esse ponto que a quarta temporada volta a reforçar. Como Khaleesi, de Game of Thrones, é lembrada; Frank é o único capaz de encontrar soluções que ninguém mais enxerga, nem que seja pelo caminho dos punhos dentro da garganta do adversário.

Até agora. Até Claire.

house-of-cards-garagemA história se desenvolve novamente em volta do casal Underwood, mas não de maneira massante e auto piedosa; é inédita, é rancorosa e é bem definida. Os roteiristas conseguiram recuperar o compaso e fugiram da imensidão de plots tediosos da temporada passada – ou, melhor, provaram que seu caminho era necessário para criar a curva ascendente de Frank como presidente.

A temporada se desenvolve como um protagonista egoísta andando em vidros quebrados. O encontro e o desencontro de Claire e Francis é justamente o que se esperava, como uma batalha sangrenta em um jogo de xadrez. É isso que acontece quando uma briga de casal acontece na Casa Branca, supomos. Os primeiros episódios também nos lembram questões estratégicas, e não fica difícil citar Napoleão e o típico erro europeu de enfrentar duas grandes frentes de uma só vez.

A série é cheia de pequenos significativos, principalmente no começo. O ato de Claire fumar sozinha, por exemplo, remete à ruptura de acordos do casal. Sempre resgatando simbolismo, House of Cards consegue se equilibrar entre o novo e o nostálgico, sem se tornar repetitiva (ainda).

Frank criou seus próprios monstros, como sempre o fez, mas é difícil matar a criatura que o alimenta. Ao final, vemos que só o caos perdoa. Só o caos eleva. E House of Cards encontrou o caos.

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Crítica originalmente postada no Colliseu, em Maio de 2016. Acompanhe mais notícias e materiais por lá.
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