Análise: Daytripper – Gabriel Bá e Fábio Moon

“Estes foram os primeiros desenhos que fiz para tentar explicar que, acima de tudo, Daytripper seria uma história de momentos silenciosos. Sobre o que você pode dizer a partir dos olhos de alguém.

Uma troca de olhares.

Um sorriso.”

Daytripper esteve parado no canto dessa mesa por. Tirei do meio do estoque de quadrinhos em um domingo, peguei café e até li a primeira página, mas não era dia. Ele ficou me julgando por um tempo, mas precisou uma semana caótia acontecer para que ele tomasse forma, crescesse em cima dos outros títulos ao redor. Não tinha como evitar. É engraçado, algumas histórias só fazem sentido quando é a hora certa de ler.

A história acompanha os dias mais importantes da vida de Brás de Oliveira Domingos através de capítulos intercalados sobre sua infância, trabalho, aspirações e amores. A narrativa costura a forma como o personagem absorve a vida através de suas experiências. Em cada uma de suas mortes, seu crescimento se expande rumo à um pensamento mais livre e entorpecente. Como narrador, Bráz transforma o roteiro em algo introspectiva e delicado, o que permite ao leitor criar uma conexão rápida com suas situações. Considerado um dos quadrinhos nacionais com maior sucesso nas terras gringas, o trabalho de Gabriel Bá e Fábio Moon ocupou semanas no topo do New York Times Graphic Book Paperback Bestseller, não por outro motivo, além da sua capacidade em conectar as possibilidades entre o sonho e a realidade. .

A obra provoca impressões singulares ao leitor. A narrativa toma um tempo próprio para crescer, e o que poderia ser uma crítica, na verdade, é um dos pontos fortes. Os personagens se intensificam conforme você se envolve com a narração. Então, depois, carinho. Você a morte e uma vida, e tudo mais que também passa a acreditar. Os seus dias mais importantes.

A série de Bá e Moon, publicada como volume único pela Vertigo e distribuída no Brasil pela Panini, é uma das obras mais bem criticadas do gênero. A minissérie ganhou prêmios Eisner e Eagle, além de ter sido indicado Harvey e ao Shel Dorf Awards. Vista como a HQ brasileira de maior sucesso no exterior, carrega referências clássicas e não tão sutis da cultura nacional, como o lirismo de Machado de Assis, paisagens, religiões e cultura.

Talvez toda morte fale de saudade.

O  quadrinho nos mostra que ela é inevitável, funciona como um acerto e é preciso que exista para que possamos continuar. No fim, você tem a impressão que, de tudo, o que menos se parece com a morte é a ausência. Talvez tudo que venha antes seja caótico e grandioso, mas a morte encerra esse ciclo como ondas baixinhas que não estalam na areia.

Depois de algumas horas de leitura, Daytipper continua em cima da mesa no final do dia.

***

Editora: Vertigo, publicado no Brasil pela Panini.

Autor: Gabriel Bá e Fábio Moon

Onde encontrar: você pode encontrar ele com o melhor preço na Amazon.

Número de páginas: 260

Data de lançamento: Edição 2016

Veja no SKOOB.

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